Blog de uma garota mediana: classe média, nem bem católica, pseudo-corredora, quase analista e aspirante a escritora desse blog. Alguém se habilita?
quinta-feira, 28 de abril de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Por um mundo melhor
"Em um mundo melhor" é um filme bem amarrado, com começo, meio e fim. Talvez por ser dinamarquês seja tão arrumadinho. Daquelas histórias contadas direito, em que a gente entende as passagens, mas não sabe onde vai dar. Coisa difícil em tempos de cinema francês com diretor iraniano.
Três histórias acontecem em paralelo, mas enredadas numa só. Um médico missionário na África que lá pelas tantas se vê no meio de uma questão ética, que é também pai ausente de um filho que sofre de bullying e marido de uma esposa traída. Tem a história de seu filho, que sofre provocações de amigos grandalhões na escola, até encontrar um outro menino que perdeu a mãe e tem idéias perversas para seu instinto pouco amigável. Por último, aparece em cena o pai desse garoto , que não consegue manter proximidade com o filho e não sabe que rumo tomar na sua educação depois da perda da mulher.
Explicado por mim parece confuso, mas pelos dinamarqueses não é. Da África ao interior da Dinamarca, as histórias vão acontecendo e colocam em xeque a educação dos filhos, o papel da escola, o builling, a ética profissional, a capacidade de perdoar e por fim, as atitudes que devemos ter, reconsiderar, reafirmar os princípios para tentar viver " Em um mundo melhor".
Com um título piegas, que pode ser produto de má tradução, e sobre isto eu nada posso opinar pois não sei dizer sequer "Bom dia" em dinamarquês, o filme aborda questões nada cafonas mas que parecem fora de moda, como ensinar aos filhos o respeito pelo outro e pensar no bem comum ao invés dos interesses pessoais. Pode ser coisa de dinamarquês, mas eu gostei.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Paris "Além da Vida"
Melancólica pela volta da viagem e fim das férias, fui assistir beeeemmm com o pé atrás o "espiritualista" do momento: "Além da Vida" com Matt Damon.
Quase uma semana depois me surpreendo pensando em algumas cenas do filme e comentários que entremeio na conversa com os amigos... Ok, eu recomendo.
Direção de Clint Eastwood não poderia ser pouca porcaria. As cenas são bem feitas (como no tsunami), a fotografia é muito boa e aparecem muitas, eu disse muitas, cenas de Paris.
Cécile de France é a atriz francesa escolhida para viver um belo roteiro que se passa primeiro em suas férias em alguma praia paradisíaca (a filmagem foi no Havaí), depois grande parte em Paris em cenas lindas compostas com a cidade e finalmente em Londres, onde assistimos ao desfecho do filme.
Também na metrópole inglesa é que se passa a história de dois meninos gêmeos e sua mãe que dão o toque de realismo mostrando uma vida, que esta sim, conhecemos e que emociona. O resto é ver e acreditar se puder. Ah sim, e se deliciar com Paris!
Quase uma semana depois me surpreendo pensando em algumas cenas do filme e comentários que entremeio na conversa com os amigos... Ok, eu recomendo.
Direção de Clint Eastwood não poderia ser pouca porcaria. As cenas são bem feitas (como no tsunami), a fotografia é muito boa e aparecem muitas, eu disse muitas, cenas de Paris.
Cécile de France é a atriz francesa escolhida para viver um belo roteiro que se passa primeiro em suas férias em alguma praia paradisíaca (a filmagem foi no Havaí), depois grande parte em Paris em cenas lindas compostas com a cidade e finalmente em Londres, onde assistimos ao desfecho do filme.
Também na metrópole inglesa é que se passa a história de dois meninos gêmeos e sua mãe que dão o toque de realismo mostrando uma vida, que esta sim, conhecemos e que emociona. O resto é ver e acreditar se puder. Ah sim, e se deliciar com Paris!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
De taxi vélo por Paris
O Ano é novo e a gente só quer e deseja coisas boas! Vou então botar o pé direito no chão, recomeçar o blog e postar coisas legais, devagar, como deve ser.
No útimo dia do ano fiz um passeio incrível por Paris (se fosse qualquer passeio nesta cidade já seria incrível, eu sei), mas desta vez foi num taxi bicicleta, uma iniciativa bem bacana numa cidade grande que, não se espantem, neste dias de festa teve um congestionamento maior dos que os que estamos acostumados em São Paulo.
Quando chegávamos em nossa "residénce" parisiense vimos estacionado na rua um taxi que era uma bicicleta puxando uma carrocinha para duas pessoas. Estava escrito "velotaccie". Anotamos o telefone e ficamos empolgados em fazer um passeio diferente e ecológico por Paris.http://www.velotaccie.com/
Ligamos e nos informamos sobre o taxi, que na verdade é um passeio de uma ou duas horas pela cidade, em que te levam em alguns pontos turísticos sugeridos por eles ou pelo passageiro. Marcamos o taxi para o dia seguinte às 13 horas e nos disseram que na hora marcada iria nos buscar um chofeur ou uma chofeuse (uma mulher) o que nos pareceu ainda mais interessante.
No dia 31 na hora marcada, nos esperava na porta de casa, Anne, uma francesa de uns vinte anos, magrinha, que pensamos, não irira conseguir nos levar a lugar nenhum...
Ela: "Bonjour, podem entrar. Faremos um passeio ao longo do Sena, até a torre Eiffel. Lá teremos uma parada e depois levarei vocês onde mais quiserem."
Percebemos que a bicicleta era elétrica, perguntamos à ela, que nos disse: "Sim, e tem mais duas baterias embaixo do banco de vocês" - Ufa! Ficamos mais tranquilos e embarcamos no velotaccie.
Muito interessante é perceber a reação das pessoas, que mesmo numa cidade como Paris, com gente de todos os lugares e de todos os tipos, se impressiona com a iniciativa. Fomos alvo de muitos olhares curiosos e comentários, como o de um Italiano: "Ma é eléeeetricaaa!", espantado como a Anne poderia nos puxar de bicicleta, duas pessoas do nosso tamanho.
Fiquei pensando em que outro lugar uma garota como Anne poderia ter este tipo de trabalho. É fabuloso uma jovem poder escolher, e tomara que seja mesmo uma escolha, ter um trabalho "eco" em que pode pedalar e ganhar algum dinheiro para se manter. Ao menos ela foi muito simpática e parecia confortável em seu trabalho, uma típica francesa que pedalava tranquila com sua bolsa pendurada no guidão.
Quanto a nós, nos divertimos com as pessoas ao redor, com Anne e sua bolsa e tendo uma visão diferente de Paris, dentro de um taxi vélo. Et voilà!
No útimo dia do ano fiz um passeio incrível por Paris (se fosse qualquer passeio nesta cidade já seria incrível, eu sei), mas desta vez foi num taxi bicicleta, uma iniciativa bem bacana numa cidade grande que, não se espantem, neste dias de festa teve um congestionamento maior dos que os que estamos acostumados em São Paulo.
Ligamos e nos informamos sobre o taxi, que na verdade é um passeio de uma ou duas horas pela cidade, em que te levam em alguns pontos turísticos sugeridos por eles ou pelo passageiro. Marcamos o taxi para o dia seguinte às 13 horas e nos disseram que na hora marcada iria nos buscar um chofeur ou uma chofeuse (uma mulher) o que nos pareceu ainda mais interessante.
No dia 31 na hora marcada, nos esperava na porta de casa, Anne, uma francesa de uns vinte anos, magrinha, que pensamos, não irira conseguir nos levar a lugar nenhum...
Ela: "Bonjour, podem entrar. Faremos um passeio ao longo do Sena, até a torre Eiffel. Lá teremos uma parada e depois levarei vocês onde mais quiserem."
Percebemos que a bicicleta era elétrica, perguntamos à ela, que nos disse: "Sim, e tem mais duas baterias embaixo do banco de vocês" - Ufa! Ficamos mais tranquilos e embarcamos no velotaccie.
Muito interessante é perceber a reação das pessoas, que mesmo numa cidade como Paris, com gente de todos os lugares e de todos os tipos, se impressiona com a iniciativa. Fomos alvo de muitos olhares curiosos e comentários, como o de um Italiano: "Ma é eléeeetricaaa!", espantado como a Anne poderia nos puxar de bicicleta, duas pessoas do nosso tamanho.
As perninhas de Anne que nos levaram por Paris
Meia hora até a torre, pausa para fotos e depois Anne seguiu conosco até a Ópera de Paris. Quase todo o caminho percorremos por ciclovias super bem feitas e sinalizadas e quando íamos para a rodovia, os carros respeitavam, teve até ônibus que seguiu um tempo grande atrás de nós, dando passagem.
Fiquei pensando em que outro lugar uma garota como Anne poderia ter este tipo de trabalho. É fabuloso uma jovem poder escolher, e tomara que seja mesmo uma escolha, ter um trabalho "eco" em que pode pedalar e ganhar algum dinheiro para se manter. Ao menos ela foi muito simpática e parecia confortável em seu trabalho, uma típica francesa que pedalava tranquila com sua bolsa pendurada no guidão.
Quanto a nós, nos divertimos com as pessoas ao redor, com Anne e sua bolsa e tendo uma visão diferente de Paris, dentro de um taxi vélo. Et voilà!
Anne com o Arthur e o detalhe da bolsa no guidão
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Nasceu
Caros e raros leitores,
Informamos que nasceu o bebê cujo os pais ocupavam há duas semanas a casa do Kiko e Débora.
Para quem não acompanhou a história do início, aí está o link :http://garotamediana.blogspot.com/2010/11/o-de-casa-e-o-bebe-que-esta-chamando.html
É um menino, forte e saudável e vai se chamar Wabi, embora se fosse menina também se chamaria assim. O nome significa "Aquele que é feliz com o que tem".
Correu tudo bem no parto humanizado e o Kiko além de perder a boquinha no ôfuro, ainda perdeu o dia do parto e adivinhem, as fotos tão aguardadas.
Assim, pediremos ao Kiko que pelo menos tire fotos pós-parto para enfeitar esta página e matar a nossa curiosidade.
Pronto, Kiko e Débora podem voltar para sua casa e parabéns aos pais que devem estar super felizes!!!
Informamos que nasceu o bebê cujo os pais ocupavam há duas semanas a casa do Kiko e Débora.
Para quem não acompanhou a história do início, aí está o link :http://garotamediana.blogspot.com/2010/11/o-de-casa-e-o-bebe-que-esta-chamando.html
É um menino, forte e saudável e vai se chamar Wabi, embora se fosse menina também se chamaria assim. O nome significa "Aquele que é feliz com o que tem".
Correu tudo bem no parto humanizado e o Kiko além de perder a boquinha no ôfuro, ainda perdeu o dia do parto e adivinhem, as fotos tão aguardadas.
Assim, pediremos ao Kiko que pelo menos tire fotos pós-parto para enfeitar esta página e matar a nossa curiosidade.
Pronto, Kiko e Débora podem voltar para sua casa e parabéns aos pais que devem estar super felizes!!!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
"Pilar e José"
Ao me dirigir ao cinema no último domingo para assistir ao documentário "José e Pilar" pensei logo numa história de amor daquelas com coincidências que não se explicam e declarações de causar inveja, mais escritas do que faladas em se tratando de Saramago, mas mesmo assim expostas na tela.
Não é disso que se trata o filme e é também. Mais de Pilar do que de José a história se compõem em torno de uma mulher que é um furacão, forte e que impõe suas vontades. Pode-se à primeira vista ingenuamente pensar numa Pilar dominadora, que faz valer seus princípios mesmo que isso custe o cansaço e a saúde de um já velhinho Saramago.
Há uma cena impressionante em que ela diz que não há tempo para o descanso e para entristecer-se, entre vôos partindo da Espanha para o mundo todo a fim de cumprir uma agenda que vai de feiras literárias a inaugurações de exposições, ela chega atrasada para o enterro da própria mãe. Causou-me uma certa raiva essa Pilar.
Mas é ela que põe a roda a girar, fazendo crescer a obra de um homem que começou a escrever com 60 anos e a conheceu com 63. Eles não têm muito tempo, ela sabe disso e ele também. O tema da morte é recorrente no documentário.
Mas é também essa Pilar quase 30 anos mais jovem o grande amor da vida de Saramago, que a perdoa de seus exageros e a certo momento diz que deseja que ela "o continue" e ele sabe que isto ela pode fazer.
" Pilar, que demorou a nascer e tardou a chegar " - é o que ele diz sobre ela. E para que declaração maior se a grande prova de amor se deu na convivência e no desejo de continuar quando ele diz no final...Bem, vale a ida ao cinema para saber.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Ô de casa, é o bebê que está chamando!
Alguns de vocês sabem que minha prima escolheu mudar para o interior, vai se casar e construir uma casa na Ecovila Clareando, um condomínio que tem uma proposta muito legal de bioconstrução e vida mais natural, como nos velhos tempos mas com tecnologia dos novos.
Pretendo colocar algumas fotos aqui no blog de "soluções" ecológicas que eles inventam lá na ecovila para melhorar a vida e torná-la mais sustentável, como uma máquina de lavar que funciona com a força do vento, por exemplo.
Mas este post é para contar sobre um parto natural que vai acontecer na casa da minha prima. Não se assuste, mas é isso mesmo. A Debora e o Kiko (minha prima e namorado) vão emprestar a casa para um casal de amigos que optou por ter um filho em casa, no método antigo. O casal mora num sítio, o que dificulta correrem para o hospital se o bebê tiver alguma complicação, então eles cederam a casa.
É como antigamente, mas é uma escolha muito moderna. O parto será feito por uma médica e acompanhado por uma doula. A mãe ficará num ofurô instalado na casa da Debora, o pai participará todo o tempo e o Kiko será o fotógrafo oficial, quem sabe não me deêm permissão para que eu publique umas fotos neste blog.
E enquanto o bebê não vem, o Kiko está lá tomando longos banhos no ofurô para se refrescar do calor de Piracaia. Ô tranquilidade, porque eu já estou super nervosa !!!
Aproveite bem enquanto pode Kiko, porque o bebê não dá aviso para chegar...Boa sorte para todos vocês!
Pretendo colocar algumas fotos aqui no blog de "soluções" ecológicas que eles inventam lá na ecovila para melhorar a vida e torná-la mais sustentável, como uma máquina de lavar que funciona com a força do vento, por exemplo.
Mas este post é para contar sobre um parto natural que vai acontecer na casa da minha prima. Não se assuste, mas é isso mesmo. A Debora e o Kiko (minha prima e namorado) vão emprestar a casa para um casal de amigos que optou por ter um filho em casa, no método antigo. O casal mora num sítio, o que dificulta correrem para o hospital se o bebê tiver alguma complicação, então eles cederam a casa.
É como antigamente, mas é uma escolha muito moderna. O parto será feito por uma médica e acompanhado por uma doula. A mãe ficará num ofurô instalado na casa da Debora, o pai participará todo o tempo e o Kiko será o fotógrafo oficial, quem sabe não me deêm permissão para que eu publique umas fotos neste blog.
E enquanto o bebê não vem, o Kiko está lá tomando longos banhos no ofurô para se refrescar do calor de Piracaia. Ô tranquilidade, porque eu já estou super nervosa !!!
Aproveite bem enquanto pode Kiko, porque o bebê não dá aviso para chegar...Boa sorte para todos vocês!
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Sonhava em voltar para sua pequena cidade, junto de seus pais. Sonhava em voltar a ser criança. Quem nunca sonhou?
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para o dia das crianças
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Manhã do Dia Mundial sem Carro
Hoje, dia 22 de setembro, é o Dia Mundial sem Carro. Tenho acompanhado este dia há algumas edições. No ano passado peguei uma carona para colaborar, mas confesso que foi só agora, por influência do meu lindo namorado que "bicicleteia" pela cidade desde o início do ano, que dei mais atenção à causa.
Decidimos deixar o carro em casa e ir aos nossos destinos utilizando outro meio de transporte. Eu, de metrô até o trabalho (que é mesmo pertinho de casa). Ele, num desafio maior, de bicicleta da ZL até a Paulista.
Fomos num pulo de casa até o metrô, menos de 10 minutos a pé e apareceu a primeira dificuldade: onde fica a ciclovia da Radial? (o Arthur seguiria por ela) O jeito era entrar na estação para perguntar. Na entrada, uma placa, dificuldade 2: não é permitido o tráfego de bicicletas. Não foi exatamente uma dificuldade porque a bicicleta do Arthur é dobrável. Foi o que ele fez, dobrou a Dahon e subimos as escadas do metrô.
Já na catraca, pois eu entraria para pegar o metrô, dificuldade 3. Pergunta o bem informado funcionário: " Você vai embarcar com isso aí?" Nos olhamos com ar de "calma é o Dia Mundial sem Carro" e o Arthur diz ao rapaz: " Isto é uma bicicleta e é permitido trafegar no metrô com ela dobrada. Aliás, o Senhor sabe onde fica a ciclovia?" Não, ele não sabia, ou sabia mais ou menos e pediu confirmação ao colega.
Eu, já passada a catraca, segui minhas duas estações rumo ao trabalho pensando que além da falta de educação, os funcionários das estações têm pouca ou nenhuma informação de como podemos utilizar os meios de transporte na cidade. Um dia depois do caos que sofreu o metrô em São Paulo e dos mais de 170 km de congestionamento na volta para casa, me causa indignação o descaso do funcionário.
Após 20 minutos cheguei ao meu destino, o Arthur em 45 estava na Paulista. Nada mal para uma cidade como a nossa, desabituada a olhar para essas questões.
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domingo, 12 de setembro de 2010
Imagem, cem sentidos
"Maldicidades" é o nome da exposição de Miguel Rio Branco no MIS, em São Paulo. Com curadoria do próprio fotógrafo, que também é pintor, diretor de cinema e artista multimídia, o trabalho ganhou liberdade para o autor e expectador.
São cerca de quarenta fotos expostas em um andar do museu, sem legendas, sem história intencionalmente não contada pelo autor. Resta aos visitantes como eu, e aos pouco entendedores como eu, sentir. É o que se pode tirar de melhor dessas imagens.
As cidades são mostradas muito em vermelho e amarelo, algumas vezes em cores tão fortes que as "apagam". Outras vezes, são os detalhes que as escondem, ou os cortes. Desaparecem as cidades para surgir os sujeitos excluídos delas.
Escancarando a exclusão o autor não se retira de provocar nojo, pena, choro e mostrar o abandono que as cidades provocam nas pessoas. Me vi sozinha numa sala de espelhos. Às vezes acompanhada desse misto de pena e desamparo que está contido na cidade.
Posso sentir agora o quente da bela tarde de sol em que circulamos pelo museu em contraponto à belas imagens recém vistas. O experimento de sentir a imagem eu revivi nesta exposição, vale tentar.
São cerca de quarenta fotos expostas em um andar do museu, sem legendas, sem história intencionalmente não contada pelo autor. Resta aos visitantes como eu, e aos pouco entendedores como eu, sentir. É o que se pode tirar de melhor dessas imagens.
As cidades são mostradas muito em vermelho e amarelo, algumas vezes em cores tão fortes que as "apagam". Outras vezes, são os detalhes que as escondem, ou os cortes. Desaparecem as cidades para surgir os sujeitos excluídos delas.
Escancarando a exclusão o autor não se retira de provocar nojo, pena, choro e mostrar o abandono que as cidades provocam nas pessoas. Me vi sozinha numa sala de espelhos. Às vezes acompanhada desse misto de pena e desamparo que está contido na cidade.
Posso sentir agora o quente da bela tarde de sol em que circulamos pelo museu em contraponto à belas imagens recém vistas. O experimento de sentir a imagem eu revivi nesta exposição, vale tentar.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Sobre medos "In on it"
Três coisas a dizer sobre "In on it", peça em cartaz no teatro da Livraria Cultura, com texto do canadense Daniel Macivor, direção de Henrique Diaz, com os autores Emílio de Mello e Fernando Eiras.
Primeiro, o nome é dificílimo de pronunciar, tente você: " In on it", enrola a língua e eu tenho que pensar pelo menos dez minutos antes de falar. Depois, o texto é ótimo e vale a interpretação brilhante dos atores. Já são três coisas, mas existe mais uma a ser dita. É uma peça que se propõe a falar do fim, mesmo sem concebê-lo, a não ser pelo próprio limte do tempo, que faz com os espectadores saiam do teatro.
O corte inicial é de um dos personagens recebendo a sentença de que está doente. O sonho do paciente: "Um barco de concreto" e o médico, aterrorizado, incapaz de dizer que isto sinaliza algo que afunda, terminal como sua doença: "Faça os exames e conversaremos depois". A dificuldade humana em dizer do fim está posta desde o início.
Seguem-se cenas em que se trata do término. Relacionamentos entre homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher, pai e filho, isso circula entre os mesmos personagens que são interpretados ora por um, ora pelo outro ator e se fixa na fala de um deles. "Enfins", está sempre no discurso de um. "Não existe essa palavra", diz o outro, sinalizando novamente que o fim é algo que não se diz, que não se concebe no início, a não ser nele mesmo.
Há um bom momento em que aparece o medo que temos, não exatamente do fim, mas do que vem depois. Temos medo de perder isto que vivemos e que é conhecido, vive-se, vive-se, vive-se repetidamente e foge-se com desespero do que não sabemos. Ilusão que usamos para nos defender, nem tão boa, mas necessária.
Ensaiados vários finais, a peça termina sem nenhum deles, aponta para morte, mas não certifica. Acertadamente não afirma algo de que é impossível ter certeza. Recomeça para não ter fim.
Primeiro, o nome é dificílimo de pronunciar, tente você: " In on it", enrola a língua e eu tenho que pensar pelo menos dez minutos antes de falar. Depois, o texto é ótimo e vale a interpretação brilhante dos atores. Já são três coisas, mas existe mais uma a ser dita. É uma peça que se propõe a falar do fim, mesmo sem concebê-lo, a não ser pelo próprio limte do tempo, que faz com os espectadores saiam do teatro.
O corte inicial é de um dos personagens recebendo a sentença de que está doente. O sonho do paciente: "Um barco de concreto" e o médico, aterrorizado, incapaz de dizer que isto sinaliza algo que afunda, terminal como sua doença: "Faça os exames e conversaremos depois". A dificuldade humana em dizer do fim está posta desde o início.
Seguem-se cenas em que se trata do término. Relacionamentos entre homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher, pai e filho, isso circula entre os mesmos personagens que são interpretados ora por um, ora pelo outro ator e se fixa na fala de um deles. "Enfins", está sempre no discurso de um. "Não existe essa palavra", diz o outro, sinalizando novamente que o fim é algo que não se diz, que não se concebe no início, a não ser nele mesmo.
Há um bom momento em que aparece o medo que temos, não exatamente do fim, mas do que vem depois. Temos medo de perder isto que vivemos e que é conhecido, vive-se, vive-se, vive-se repetidamente e foge-se com desespero do que não sabemos. Ilusão que usamos para nos defender, nem tão boa, mas necessária.
Ensaiados vários finais, a peça termina sem nenhum deles, aponta para morte, mas não certifica. Acertadamente não afirma algo de que é impossível ter certeza. Recomeça para não ter fim.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Oxigênio para a semana
E eu que pensei que os finais de semana eram para descansar. Tinha uma idéia de pausa e de bexiga cheia que fura e sai o ar.
Parecia uma lacuna, um espaço vazio no meio de tantas atividades da semana, às vezes cinza e sem graça, outras ensolarado e meio com graça, mas mesmo assim sem graça ainda.
Descubro e me surpreendo. Os finais de semana são para preencher, para inventar recheio que sirva para mais uma semana, essa que repete, que não sai do ar. Ela sim, dá pausa sem saber, pretende se fazer no espaço, entre um final de semana e outro.
Parecia uma lacuna, um espaço vazio no meio de tantas atividades da semana, às vezes cinza e sem graça, outras ensolarado e meio com graça, mas mesmo assim sem graça ainda.
Descubro e me surpreendo. Os finais de semana são para preencher, para inventar recheio que sirva para mais uma semana, essa que repete, que não sai do ar. Ela sim, dá pausa sem saber, pretende se fazer no espaço, entre um final de semana e outro.
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Meia volta vou ver
Dei meia volta no shopping esse final de semana pra olhar. Olhei pra baixo, pra cima, olhei pros lados. Olhei de um lado, de outro, mais prum lado só.
Meu negócio não é com o olhar, é com a escuta. E dá pra escutar sem olhar. Mas dá pra olhar sem escutar?
Nessa meia volta em meia hora, fui na loja das meninas, da Milla e da Adriana, as donas da "Casinha Pequenina". Eu, gigante que sou na altura mesmo, mas nada na sabedoria, fiquei pequena também, que bom. Senti vontande de diminuir para saber, de brincar de casinha, de ser boneca e me sentir boneca.
Queria uma casinha de brinquedo, com cadeirinhas, bulinhos e personagens, pra inventar, pequenina como a delas, mas não aquela, a minha.
Na minha eu colocaria um vaso de rosas vermelhas pra enfeitar e pra olhar. Só para olhar lembranças e o que senti.
Ps: A "Casinha Pequenina" (loja de miniatura das meninas) fica no Shopping Eldorado, piso abaixo do térreo que não sei o nome. Vale muito a visita.
Meu negócio não é com o olhar, é com a escuta. E dá pra escutar sem olhar. Mas dá pra olhar sem escutar?
Nessa meia volta em meia hora, fui na loja das meninas, da Milla e da Adriana, as donas da "Casinha Pequenina". Eu, gigante que sou na altura mesmo, mas nada na sabedoria, fiquei pequena também, que bom. Senti vontande de diminuir para saber, de brincar de casinha, de ser boneca e me sentir boneca.
Queria uma casinha de brinquedo, com cadeirinhas, bulinhos e personagens, pra inventar, pequenina como a delas, mas não aquela, a minha.
Na minha eu colocaria um vaso de rosas vermelhas pra enfeitar e pra olhar. Só para olhar lembranças e o que senti.
Ps: A "Casinha Pequenina" (loja de miniatura das meninas) fica no Shopping Eldorado, piso abaixo do térreo que não sei o nome. Vale muito a visita.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Medir é humano
Se é humano tem mania de medida. Mede tudo. Com fita, com polegada, com o olho.
Eu gosto de medir com o tempo, mas aí fica tão longe. Media as mudanças por carnavais, a primeira no carnaval de 2004, a volta, no fevereiro de 2007. Veio a festa junina de 2008 e acabou com o carnaval. Lembro do carnaval de 2009, normal e o de 2010, mais normal ainda. Parecia que ia esperar outra festa de reis, mas não precisou, antecipou, outro tempo, desmediu, veio antes.
A chegada, desta vez, do outono, das folhas que caem sem fazer alarde. E passo a medir por cheiro, de vinho do inverno, de cama sem fazer, de cabelo mal lavado.
Se for medir por quilômetro é cheiro de mato, de terra, de chuva no caminho, de chuva como hoje, de creme pelo corpo, de piscina e de rio.
Dá pra medir por trecho, como um conto, mas eu prefiro uma narrativa, que mede o que foi percorrido. E se eu meço é como os taxímetros, que começam a medir sem fim para chegar.
Inspirado nos poemas de Manoel de Barros.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
A Ecovila Clareou
Não sei bem como falar sobre isso, mas depois da visita que fiz à Ecovila Clareando em Piracaia, interior de SP no último final de semana, achei que deveria dizer algo sobre essa experiência, nem que fosse um depoimento.
Pensei também se existiria algum cruzamento interessante entre psicanálise e uma atitude sustentável e não precisei ir muito longe para perceber que é possível pensar sobre a insatisfação dos sujeitos nas vidas que levam nas grandes cidades, que é crescente à medida que se conquista mais e mais, seja conforto, facilidades eletrônicas ou mais dinheiro para conseguir tudo isso. É um anúncio, mas não será tratado aqui.
A Ecovila Clareando é um condomínio com lotes à venda como os demais, com a diferença que tem a proposta da bioconstrução. Isso quer dizer que todas as pessoas que compram um terreno lá devem ter a preocupação de construir sua casa de maneira sustentável. Deve-se procurar soluções que não agridam o planeta, incluindo a coleta da água da chuva em seu projeto e preocupando-se com o consumo excessivo de energia, por exemplo.
Se espera encontrar, como eu, um bando de gente de bata, recitando mantras e tentando viver em comunidade, você poderá frustrar-se e surpreender-se . O perfil das pessoas que têm seus terrenos ou casas na Ecovila é na sua maioria de profissionais liberais, por volta de quarenta anos, bem sucedidos, já que construir uma casa com essa proposta custa mais caro que uma edificação convencional, gente que mora ou morou em São Paulo e tem se preocupado em viver de maneira melhor e com atitude sustentável.
Há um esforço genuíno de experimentar uma vida em comum. No período que estive lá tivemos uma festa junina e um almoço com quase todas as pessoas que estavam no condomínio neste dia. Vão construir um centro comunitário e há uma proposta de ter horta e padaria coletivas.
O mais difícil pelo que percebi, e isso é apenas um recorte, é mudar as atitudes de quem está acostumado com uma vida urbana. O lixo, por exemplo, é uma questão importante. Após o almoço fiquei alguns bons minutos pensando onde jogaria a casca de um pedaço de melancia. Que tipo de lixo era aquele? É comida pras galinhas, me responderam. Ufa! Eu já estava guardando numa sacolinha que deixei no carro, de lixo retornável pra São Paulo.
Viver entre vários e com uma proposta de algo parecido com uma "comunidade" também não é tarefa fácil. Basta pensar nas reuniões de condomínio do prédio, se é que já participou de alguma, para lembrar-se dos impasses. A lógica do contemporâneo prega o individualismo e a Ecovila o contrário. O que notei foi um esforço em manter o comum alinhado à proposta do lugar, o que já é bastante e merece crédito.
Fico com a imagem de um lugar lindo, cravado no meio da Mantiqueira, cheio de pessoas bacanas e com a proposta de viver melhor. Isso me fez repensar muitas atitudes, e seja na Ecovila ou na cidade, minha vontade é de viver parecido e sei que muita coisa tem que mudar.
Pensei também se existiria algum cruzamento interessante entre psicanálise e uma atitude sustentável e não precisei ir muito longe para perceber que é possível pensar sobre a insatisfação dos sujeitos nas vidas que levam nas grandes cidades, que é crescente à medida que se conquista mais e mais, seja conforto, facilidades eletrônicas ou mais dinheiro para conseguir tudo isso. É um anúncio, mas não será tratado aqui.
A Ecovila Clareando é um condomínio com lotes à venda como os demais, com a diferença que tem a proposta da bioconstrução. Isso quer dizer que todas as pessoas que compram um terreno lá devem ter a preocupação de construir sua casa de maneira sustentável. Deve-se procurar soluções que não agridam o planeta, incluindo a coleta da água da chuva em seu projeto e preocupando-se com o consumo excessivo de energia, por exemplo.
Se espera encontrar, como eu, um bando de gente de bata, recitando mantras e tentando viver em comunidade, você poderá frustrar-se e surpreender-se . O perfil das pessoas que têm seus terrenos ou casas na Ecovila é na sua maioria de profissionais liberais, por volta de quarenta anos, bem sucedidos, já que construir uma casa com essa proposta custa mais caro que uma edificação convencional, gente que mora ou morou em São Paulo e tem se preocupado em viver de maneira melhor e com atitude sustentável.
Há um esforço genuíno de experimentar uma vida em comum. No período que estive lá tivemos uma festa junina e um almoço com quase todas as pessoas que estavam no condomínio neste dia. Vão construir um centro comunitário e há uma proposta de ter horta e padaria coletivas.
O mais difícil pelo que percebi, e isso é apenas um recorte, é mudar as atitudes de quem está acostumado com uma vida urbana. O lixo, por exemplo, é uma questão importante. Após o almoço fiquei alguns bons minutos pensando onde jogaria a casca de um pedaço de melancia. Que tipo de lixo era aquele? É comida pras galinhas, me responderam. Ufa! Eu já estava guardando numa sacolinha que deixei no carro, de lixo retornável pra São Paulo.
Viver entre vários e com uma proposta de algo parecido com uma "comunidade" também não é tarefa fácil. Basta pensar nas reuniões de condomínio do prédio, se é que já participou de alguma, para lembrar-se dos impasses. A lógica do contemporâneo prega o individualismo e a Ecovila o contrário. O que notei foi um esforço em manter o comum alinhado à proposta do lugar, o que já é bastante e merece crédito.
Fico com a imagem de um lugar lindo, cravado no meio da Mantiqueira, cheio de pessoas bacanas e com a proposta de viver melhor. Isso me fez repensar muitas atitudes, e seja na Ecovila ou na cidade, minha vontade é de viver parecido e sei que muita coisa tem que mudar.
sábado, 19 de junho de 2010
Achismos ou Memórias Achadas
Eu digo porque presente achado é melhor que presente comprado.
A primeira coisa é a própria expressão que diz, não sou eu: "Foi um achado!", se foi assim e merece ser comprado é porque é uma qualidade para a compra.
E seguimos: "Achado não é roubado!" e se não é roubado o presente, já é uma boa coisa.
" Achei que parecia com você ". Aí quem acha já é o presenteador, mas o presente continua sendo achado para alguém e em especial.
E achado que não é comprado, é aquele que você já possuía e amava e quer compartilhar com alguém. Tem que ser com quem tem coisas em comum, pra gostar como você e não desperdiçar o presente. Deve ser para alguém que vai cuidar como você, para não estragar o presente. Você vai se mudar para um apartamento e não dá seu cachorro para quem não saiba amá-lo. Não se dá seu vestido de formatura para pessoa sem importância, nem se empresta. E um livro não se acha para qualquer um.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Inverninho
Com esse frio de quase inverno, resolvi "repostar" (publiquei isso no ano passado) duas receitinhas de chá fáceis e deliciosas. E o melhor, esquenta o pé de moças solteiras, vovós, vovôs, homens casados que estão dormindo no sofá, etc, etc...
Pela complexidade, vocês logo vão perceber que este blog está longe de se tornar uma referência gastronômica. Mas tá valendo...
½ maçã picada
1 fatia de abacaxi em pedacinhos
um saquinho de chá de frutas vermelhas ou flores e frutas
água fervendo, muito fervendo
Coloque em uma caneca (bem bonita) um punhado de maçã picada e pedacinhos de abacaxi, jogue água fervendo por cima. Coloque o saquinho de chá e deixe por alguns minutos. Adoce como quiser, é uma delícia!
Ps: Esse chá também pode ser tomado em qualquer Fran´s Café por R$ 4,50. O nome no cardápio é Chai de Frutas. Você pede, bebe e paga, mas acho que o deles não esquenta o pé.
1 colher de polpa de maracujá de verdade
1 pau de canela, não pode ser pó, tem que ser pau
Água fervendo
A Marli, minha cabelereira que deu a receita, disse que é só colocar o maracujá, o açúcar ou adoçante e o pau de canela no fundo da xícara e completar com água fervente. Deixe um pouquinho e coe. Pode tomar que ela garante, ou não, mas eu garanto.
Pela complexidade, vocês logo vão perceber que este blog está longe de se tornar uma referência gastronômica. Mas tá valendo...
Thé des fruits
1 fatia de abacaxi em pedacinhos
um saquinho de chá de frutas vermelhas ou flores e frutas
água fervendo, muito fervendo
Coloque em uma caneca (bem bonita) um punhado de maçã picada e pedacinhos de abacaxi, jogue água fervendo por cima. Coloque o saquinho de chá e deixe por alguns minutos. Adoce como quiser, é uma delícia!
Ps: Esse chá também pode ser tomado em qualquer Fran´s Café por R$ 4,50. O nome no cardápio é Chai de Frutas. Você pede, bebe e paga, mas acho que o deles não esquenta o pé.
Chá de maracujá com canela
1 colher de polpa de maracujá de verdade
1 pau de canela, não pode ser pó, tem que ser pau
Água fervendo
A Marli, minha cabelereira que deu a receita, disse que é só colocar o maracujá, o açúcar ou adoçante e o pau de canela no fundo da xícara e completar com água fervente. Deixe um pouquinho e coe. Pode tomar que ela garante, ou não, mas eu garanto.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Nas curvas da estrada
O terceiro dia era também o último e começou com boas surpresas. A primeira delas foi um sol maravilhoso que nos acompanhou por todo o caminho. Imaginem o que é isso depois de um dia inteiro de chuva e lama.
Tive a ótima surpresa de recuperar meu celular. Eu o havia esquecido em Luminosa, na correria, ao lado da cama. Contei a história pela manhã à Alice que imediatamente sacou seu celular e contatou Dona Ditinha. Ela havia achado o aparelho e poderia enviar por um ciclista em nosso último destino, Campos do Jordão. Quando eu chegasse ao Recanto dos Peregrinos em Campos, recuperaria meu telefone. Caminhei mais feliz e acreditando, mesmo, na boa vontade das pessoas.
Neste dia, foram conversas com pequenos grupos de amigos de cada vez e oportunidade de curtir o caminho. Nem me lembro mais se haviam muitas subidas "ingrids" que me deixariam "aconfortável", né Cida?
Me recordo bem da conversa sobre molho bechamel com Juan, que nos ensinou a receita de seu macarrão ao molho de fungui. É delicioso, eu já experimentei. A Lu entrou na conversa e já que culinária não é o seu maior interesse, seguimos falando sobre música francesa, Piaf e a tradução de " Ne me quitte pas". Isso nos lembrou, à mim e ao Arthur, uma série de músicas "dor de corno" como "Atrás da porta" do Chico, mas logo passou, demos risadas e continuamos o caminho.
Feliph e Veruska vinham ou logo atrás, sentinelas do grupo, ou bem na frente, como nossos guias. Cris veio com um papo de academia, Jose falava da inauguração de um shopping, em uma de suas histórias formidáveis. Logo chegamos à Igreja Nossa Senhora da Saúde, em Campos do Jordão.
Na porta da igreja Nossa Senhora da Saúde
Talvez não precisasse dizer, mas digo, o quanto é emocionante chegar à esta igreja e perceber que estamos quase cumprindo todo o percurso, lembrar das dificuldades e facilidades, ter certeza de que alcançaremos o fim. Arrisco que só aí começamos a ter idéia de que havíamos formado um grupo.
Mais um pouco e já estaríamos almoçando e divindindo uma cerveja, ou mais de uma, num restaurantezinho na entrada de Campos. O prazer de comer bem e bater papo com os amigos, simples assim, foi algo que recuperei depois de três dias de caminhada e espero levar comigo.
No Recanto dos Peregrinos, onde finalmente estava meu celular, decidimos nem tomar banho. O ônibus já nos esperava e preferimos seguir direto pra São Paulo. Foi lá que resolvi dar um presentinho para a Bete, amiga querida da equipe. Era algo simbólico, mas nos emocionamos, acreditem, com uma pinça! As sombrancelhas de Bete nunca mais serão as mesmas. Detesto depoimentos que valham pra todo mundo ou coisa parecida, mas é verdade que essa experiência pode nos mostrar o valor de pequenas coisas, como a volta com o grupo no ônibus.
Exaustos, com bolhas nos pés, costuradas ou não, a sensação era de que para cada um e de maneira diferente, algo havia mudado. Para os mais religiosos, o caminho pode ser reanimação da fé, para os menos, é superação, encontro. O sentimento de pertencimento a um grupo que busca se não o mesmo objetivo, um fim comum, muito me tocou.
Ao som do rei Roberto e depois do nem tão rei Julio Iglesias, seguimos cantando, contando histórias do caminho e de fora dele e percebemos que o bacana é estar com amigos na estrada, entre curvas que nos levam nem sempre sabemos pra onde.
Ao som do rei Roberto e depois do nem tão rei Julio Iglesias, seguimos cantando, contando histórias do caminho e de fora dele e percebemos que o bacana é estar com amigos na estrada, entre curvas que nos levam nem sempre sabemos pra onde.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
Retratos do dia seguinte
Hoje, dia de treino, encontrei parte das pessoas com quem estive no caminho. É interessante notar como essa experiência tocou cada um de forma diferente, mas sempre especial.
Todos concordam com as dificuldades do peso da mochila, das subidas, do barro em dia de chuva; mas cada um tirou conclusões muito pessoais. De um jeito ou de outro, alguma coisa mudou.
Lembro de acordar em Luminosa às três da manhã, com a voz inconfundível da Alice, nossa pastora, amiga que organizou e nos guiou pelo caminho, abafada pelos pingos de chuva na janela. Pensei: " Vai ver que com chuva a gente não vai!"
O resto do dia quase todo, caminhei ao lado dos MB´s, equipe dos Mó Bacanas que se juntou à nos para percorrer esses dois dias. O Chris, a Moneti, a Marcela, a Bete, a Mayarinha, a própria Alicinha que circula nas duas equipes, nos mostrou que é possível permanecer juntos apesar do ritmo diferente de cada um. Andrea e Diana estavam mais na frente, junto à minha equipe, mas assim mesmo mostrando que a diversidade é que é legal.
Quase não acreditei ao chegar em Campista, aquela pousadinha na beira do Rio, bonitinha e friiiiaaa. Valeu o calor dos amigos na roda de sopa, pastéizinhos e pinga com mel. Ai que cansaço! Disso me lembro, como também da boa conversa e o aconchego do cobertor.
Talvez a sensação de cansaço desse dia tenha me deixado meio sem inspiração. Mas agora sei que o sol nascerá no dia seguinte e posts melhores virão.
Todos concordam com as dificuldades do peso da mochila, das subidas, do barro em dia de chuva; mas cada um tirou conclusões muito pessoais. De um jeito ou de outro, alguma coisa mudou.
Não só fomos com nossas capas de chuva coloridas, como enfrentamos toda a lama em ladeiras intermináveis que compunham esse segundo dia. Acho que foi nesse dia que encontramos "Cheide", nosso mascote no caminho, o cão melhor amigo do homem e de Feliph, nosso treinador. Os dois não se largaram mais, era bonito de ver.
Estava no início, mas já estava bem difícil, quando demos uma pausa na casa da Dona Inês, Seu Zé e suas duas lindas filhas de olhos enormes e verdes. Que valor! (Arthur, não resisti). Eles nos ofereceram sua casa, seu banheiro e um café doce como uma colher pura de mel. Que delícia! (agora fui eu). Dona Inês vende ainda bem baratinho uns saquinhos de bananinha chips, docinho de banana e doce de leite. Se você passar por lá um dia, não deixe de parar e comprar. O endereço é entre Luminosa e Campista, bem em cima do morro, depois da terceira ou quarta ladeira, não tem erro.
Dona Inês e a menina em retrato do Arthur
Quase não acreditei ao chegar em Campista, aquela pousadinha na beira do Rio, bonitinha e friiiiaaa. Valeu o calor dos amigos na roda de sopa, pastéizinhos e pinga com mel. Ai que cansaço! Disso me lembro, como também da boa conversa e o aconchego do cobertor.
Talvez a sensação de cansaço desse dia tenha me deixado meio sem inspiração. Mas agora sei que o sol nascerá no dia seguinte e posts melhores virão.
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