segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nada de crítica (Sherlock Holmes)

Se eu fosse a Madona meteria o pau, mas como tá bem longe disso e não sou ex de Guy Ritchie, adorei o novo Sherlock. A dupla formada por Robert Downey Jr. e Jude Law é afinada e as tomadas de Londres são de deixar saudades até pra quem não conhece a cidade nublada.

O roteiro, como diz a crítica, pode não ser lá excepcional e as cenas de ação exageradas, o que eu não concordo, mas Sherlock vale pela composição de um herói que possui o único super poder da "espertisse". Se Holmes vivesse nos anos 2000 seria um nerd, uma espécie de criador do twitter ou algum site de busca.

Ele e seu parceiro Watson, são personagens atuais (leia crítica do "Omelete" http://www.omelete.com.br/cine/100024405/Critica__Sherlock_Holmes.aspx ) e dá vontade de tê-los como vizinhos pra nos proteger de todo mal e não só porque são lindos e charmosos, meninas!!!

Watson é um bom moço convicto, médico e faz tudo pra ficar com a noiva, uma loira esperta que ele arrumou.  Já Holmes vive sua história de amor com uma pilantrinha por quem é apaixonado e que chega a quase enrolá-lo, mas ele é brilhante e obsessivo o suficiente para perceber a tempo.

Assim se desenrola a história e do final nem lembro direito, reparem que meu interesse mesmo é pelos personagens.Por que será? Elementar...


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

É proibido fumar

O filme que leva o título acima é nacional, simples, mas não é óbvio. A trama é mesmo muito boa e quase surpreende.

A ótima Glória Pires, que também está no péssimo tal filme sobre o Lula ( eu não vi, mas é o que dizem), faz o papel de uma professora de violão que deve ter comprado sua última peça de roupa numa liquidação da Riachuelo em 1985. Ela é antiquada, seu apartamento fora de moda e seu corte de cabelo não se usa mais.

Tudo isso para caracterizar alguém com medo de mudanças, inclusive de largar o cigarro, que vive no apartamento deixado pela mãe, com os mesmos objetos e lembranças que restaram desde sua morte.

Acontece que aparece um vizinho tão estranho quanto ela, Paulo Miklos, também em boa atuação, músico "como ela", por quem começa a se interessar. Logo ao se mudar ele dá a dica: " Chame pro que precisar. Uma xicrinha de açúcar, uma massagem..."

Ele passa a ser a oportunidade que ela precisava para sair da monotonia do apartamento e discussões com as irmãs mais bem sucedidas, por causa de um sofá deixado de herança por uma tia querida. É também o pretexto, ou impulso pra ela largar o cigarro. É bem marcado quando ela começa a se depilar e aparecer em algumas cenas com as unhas pintadas de vermelho.

Legal é notar como as espionagens aconteciam antes dos orkuts, msns, twitters e afins. Quando quer saber se ele está tendo um caso com outra menina bem ao lado do seu nariz, ela simplesmente faz um furo na parede, que serve para observar o que acontece no apartamento vizinho. Descobre o caso com a ex de seu atual amante, o que a faz sofrer.

Não pretendo contar o que torna o enredo interessante à certa altura, mas posso dizer que é uma manifestação  insconsciente muito bem colocada no filme. O desejo existe, está lá, e mesmo que não intencionalmente, acaba acontecendo numa atuação ( no sentido psíquico) da personagem principal.

Baby, a personagem, passa a viver da manutenção de um segredo e de um vício. Fumar continua sendo proibido mas necessário para ela, como a loucura e um novo amor.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Le sac des filles

Vou viajar e por isso (e só por isso e também porque queria contar aqui da viagem) fui obrigada a arrumar a bolsa que carrego, pra não levar na viagem coisas dispensáveis. Bem, o assunto é batido, mas vou postar mesmo assim por causa de algumas descobertas nessa empreitada.

Descobri a causa de ter o ombro direito caído, pelo menos em relação ao esquerdo e que minha carta de motorista está vencida. Que carrego uma caixa com mais de cem band-aids  comprada por dó do moço da farmácia, que me vendeu essa caixa enorme, quando eu queria uma com apenas quinze pra carregar na bolsa.

Deu pra saber que há mais de um mês, eu juro, fui ao McDonald's e ganhei um brinde daqueles lanchinhos felizes, o bicho estava lá no fundo e que também por volta desta data meu extrato bancário já indicava que minha conta estava negativa.

Encontrei meu pen drive perdido, uma revista Boa Forma de julho do ano passado (eu já estava tentando emagrecer) e frutas secas que roubei da ceia de natal pros meus lanchinhos, saudáveis, fora de hora. Mas tinha esquecido de tudo isso!

Felizmente, diante do caos pode-se descobrir coisas interessantes. Achei uma folha de papel colorido com um poema,  que me foi dado por minha amiga Ana  junto com uma calcinha rosa pra passar o ano novo. Para quem leu até aqui, o presente:

Amar

...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra como pensa muito mais nela...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que não te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase:
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Um dia perceberemos que somos muito importantes para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia perceberemos como aquele amigo faz falta, mas aí já é tarde demais...
Enfim...um dia descobriremos que apesar de viver quase 100 anos,
esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Mário Quintana

Aninha, esse peso vou continuar carregando na bolsa ou fora dela, o de amar e tentar entender tudo isso.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pra quem não come, como eu

Eu sei que é tarde, mas acordei no meio da noite com fome e só consigo pensar em comida agora. Também queria ter postado isto ontem, ou há pouco mais de uma hora e meia, mas não deu, portanto, devo pensar que insônia e fome fora de hora tem suas compensações.
Quem me lembrou disto hoje foi minha querida amiga Tati, e eu relembrei que cumprimos a tradição no ano anterior. Eu havia feito também com as crianças que cuidava quando trabalhava como babá quando morei fora.
É a tradição da "galette des rois", ou bolo de reis, como queiram. Há quem não conheça como funciona, por isso, vou explicar aqui e também porque é divertido, pode servir para outros anos.

Acontece que em muitos países da Europa, no 06 de janeiro, faz-se um bolo (de receita complicadíssima e essa eu não poderei dar aqui) e esconde-se uma fava, dessas de baunilha, ou uma prenda dentro, pode ser um anelzinho de bijouteria ou algo assim. Parte-se o bolo, e quem "cair" com a fava ou prenda, tem o direito de ser o "rei por um dia" e portar a coroa que acompanha o bolo durante um dia completo.
Pode parecer meio bobo, mas é divertido, principalmente porque portar a coroa te dá o estatuto de "rei" e um dia inteiro pra mandar nos outros, ou pelo menos em quem  você conseguir.
Desculpem o atraso da postagem desta que escreve, mas é que a fome altera minha capacidade intelectual. E estou terminando o "post" bebendo água, caso alguém pense que estou atacando um pedaço de "galette". Isso fica pro ano que vem!


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Como de costume

Show na praia no Ano Novo, não de Ano Novo. Eles estavam sentados bem na minha frente, separados apenas pela filha, pouco mais que uma adolescente, mas podia ser uma, jogando ao celular no meio da multidão. Não era propriamente uma multidão, era uma centena ou duas de pessoas, talvez mais, continuo horrível em cálculos.

Era um casal de velhos, mas podia não ser, tinham apenas cinquenta e poucos anos cada. Num dado momento, antes mesmo do início do show, ele afastou sua cadeira da delas, esposa e filha, como que com desconhecidas, nada avisou. Quase aviso eu, tamanho o constrangimento estampado no rosto da mulher quando percebeu. Mas não disse nada, nem sequer o chamou. Pensei que o costume a deixara assim, ele devia se afastar, sempre.

Ele ainda piorou, fechou a cadeirinha dobrável estilo  diretor de cinema e galgou um lugarzinho mais na frente, mais distante delas. O constrangimento dela aumentou, ele não notou, a filha ao celular não notou, mas nós duas sim, ela mais do que eu.

Quando o cara da banda cantou "O homem de gelo", ela sabia que ele olharia. Eu também olhei, sabia que ela olharia, e ele, por identificação ou falta de interesse na canção, olhou. E ele acenou e ela jogou um beijo no ar, ficou tudo bem, estava combinado que ele se afastaria, mas ficaria presente o suficiente, apenas o necessário pra manter o costume.

Eu estava gostando do show, talvez mais que a maioria da platéia burguesa demais pra gostar da tal banda alternativa, mas burguesa demais pra admitir que não estava gostando tanto assim. No final, o músico nos encaminhou por um repertório fácil, que todos conheciam e gostavam mesmo, isso era verdade, mas já estava combinado, era pra manter o costume, para não dar errado.

O Ano era Novo, mas nada tão Novo que quebrasse a regra, o jogo. As pessoas fazem novas promessas, mas elas mesmas, não tão novas, preferem o habitual, é o que podem e isso não é uma crítica. O mínimo do comum deve se manter, pra juntar  com o certo e não dar errado. Se não, de onde tirar o novo certo?  O que deu errado, transformado, é o novo certo e eu concordo que seja assim. Mas a mulher, sentada logo alí, concorda mais do que eu, ela concorda sempre, pra manter o costume.