Concordo com o Serginho quando ele irritantemente diz que a mostra de cinema tem muitas coisas insuportáveis. Encontra-se muitos conhecidos, tem um ar de "eu sou cult" e tá cheio de gente que quer parecer mais inteligente porque está vendo este tipo de filme.
Uma coisa é legítima, se está ali, num horário e local improváveis (por exemplo, seis da tarde de uma sexta-feira no Shopping Cidade Jardim), arriscando-se a ver um filme de uma produção franco-belga-kajaquistanense, é porque se gosta de cinema.
E felizmente, pode-se ter boas surpresas. É o caso de "Um homem qualquer" do diretor Caio Vecchio. É um filme sensível, que conta a história de um homem de mais ou menos trinta anos, indefinido na vida, que passa a viver um grande amor com Lia, uma estudante de teatro e um mendigo ex-psiquiatra, a quem escolhe fazer perguntas sobre suas dúvidas existenciais.
Claro que o caso de amor carnal é com Lia, mas a relação que ele traça com esse ex-psiquiatra é das mais verdadeiras, tratam-se de questões que falam em nome próprio e é daí que parte sua busca para tentar alcançar quem é.
No final, um equívoco (a cena que me fez chorar): Quem disse que pra descobrir coisas sobre si próprio é preciso ficar sozinho? Só podia ser coisa de homem!